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quarta-feira, 2 de março de 2011

Reencontro com as origens

Quando menos se espera a vida prega peças, e nós, meros personagens de nossa própria história, somos empurrados ao proscênio do grande espetáculo que é redescobrir a nós mesmos.

Reencontrar nossos familiares, amigos de infâncias, velhos conhecidos, enfim rever algumas pessoas de nosso passado nos fazem viajar no tempo e recordar quem fomos, o que gostariamos de ser hoje, e a buscar o lugar exato onde nos perdemos de nós, ao trilhar a estrada do estar no mundo.

Me senti assim esses dias ... quando provoquei o encontro de tia e sobrinha, mãe e tia-avó (a depender de quem escreve!). Dessa junção de pessoas, almas se aproximaram, identificando a origem de sua personalidade tão incomum ... eis a semelhança entre os desiguais ... sei me agora parte desta família.

E para que esse momento jamais se perca no tempo, divido com vocês algumas letras de uma mulher a frente de seu tempo. Uma poesia de minha Tia-avó para minha avó.


Agradecimento
Nitinha - Campina Grande, 29 de outubro de 1965

Tereza, venho agradecer a ti
Por esses dias passados a teu lado
Por essas horas boas, que eu vivi
Quero dizer-te um muito obrigado

Quero contigo deixar, madrinha
As lembranças de que te atormentei
Te peço não zangar queridinha
Que da tua cara eu jamais esquecerei

Era, três, que eu me ria com elas
Além da cara de sempre, a cara de cortar carne
A cara de cochilar e a cara de ouvir novelas

Madrinha, com este um beijo te deixarei
E quando estiver distante, bem longe
Quando for cortar a carne, da tua cara lembrarei

* Para Têca de tua afilhada que muito te quer

Postado por Irla

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Letras


Letras só hão de ter um significado se unidas formam palavras.
De mãos dadas, pelas semelhanças que as conectou, letras são como amigas de infância que na brincadeira constroem emoção.
Disformes, separadas, deslocadas ou isoladas não dizem nada, são pedaços de um sentimento que não foi ... ficou!

Irla

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Explicação de poesia sem ninguém pedir



Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia
Atravessou minha vida
virou só sentimento


Adélia Prado



*Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935) é uma escritora brasileira. Seus textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela sua fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único. Em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, ainda que maternal, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa; por isso sendo considerada como a que encontrou um equilíbrio entre o feminino e o feminismo, movimento cujos conflitos não aparecem em seus textos.
(Fonte: Wikipedia - fragmentos)

Poetinha querida, que acabou de lançar "A duração do dia".
Texto dos mais sublimes que já li.


Isabella

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pulsação


Sem buscar, ou mesmo desejar, aconteceu.

Os olhos se viram, as mãos se tocaram, os lábios se encontraram, enfim .

Já não bastasse tudo o que convergia para estarem juntos, o corpo pulsava.

Talvez não o corpo todo, mas uma série de funções fisiológicas, psíquicas e imaginativas que se movimentavam, e era quente.

Quando os corpos, por fim, se uniram, uma explosão de sensações fluiu por todas as extremidades dos corpos em chamas. Fervia.

Eles já não eram mais os mesmos.

O corpo possuía uma temperatura mais elevada, a pele exalava um outro odor, o coração pulsava descompassadamente.

A partir daquele instante, estavam eles em uma outra frequência - talvez em outro tempo, em um outro espaço.

Irla

domingo, 19 de setembro de 2010

Segredo



Esta saudade aqui

cabe toda em um verso

mas, ai de mim,

ela não cabe no universo.


Isabella

domingo, 12 de setembro de 2010

Flor



Seu interior

muito mais que água

muito mais que terra

é céu interior


Isabella
Com todo carinho, para minha querida amiga Frô

sábado, 28 de agosto de 2010

Pés, passos, coração partido



Pés são pedaços de nosso corpo, ou seriam o corpo?

Seriam os pés, pedaços de mim, ou eu parte do que meus pés almejam descobrir?

Tiro dele os primeiros passos e sustento-me enquanto corpo, enquanto parte, enquanto todo.

Com eles e através deles, vivenciei experiências de novas terras, texturas e temperaturas.

A cada passada, um novo começo, um novo caminho e uma nova viagem.

Dos rastros, que deixam partes de mim por onde passei, enxergo memórias, sensações, amor que vêm à tona com uma beleza que não se vê, se sente.

Nos tropeços da vida, pessoas por nós passam e deixam fortes pegadas no coração. Algumas delas adentram tão profundamente que nos alcançam o ser e partem, deixando para traz um coração-partido.

Irla

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Em tempo




Uma voz que não se sabe de onde insiste:
"Inês é morta"
E eu, também um pouco ausente, respondo:
Sem problemas. Eu acredito em vida após a morte.
(...)
E em reencarnação.

Isabella

sábado, 15 de maio de 2010

Travessia (ou Lembrança do sol ou Excesso de sol ou Esperança na Lua)



É hoje urgente que se fale de alma
E de janelas...
É preciso algo, além da própria vida,
Apto a ser fatal.
É, por vezes, urgente a morte
E, como pano de fundo,
Um simples pôr do sol...
E é também necessário o ocaso
E o acaso
E o encontro de olhos que não se viram mais...
É, portanto, imperioso o sono
E a insônia
E que a mente proteja o corpo do brilho excessivo do sol
É, sobretudo, vital que, a despeito e a respeito de tudo,
Se ponha o sol
E que, logo após,
(se nada se desencaminha)
Venha, enfim, a lua...

Isabella

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Poema e/ou Poesia

Muitos desconhecem a diferença entre Poema e/ou Poesia. Como esta dúvida mostrou-se presente entre as integrantes do Clube, resolvemos abordar, ainda que suscintamente, a temática.

O Site de Literatura faz uma breve definição dos termos. Inicia a abordagem da seguinte forma:

É bom ressaltar a diferença entre poema e poesia. Apesar de serem tratadas por muitos como sinônimos, o uso dos dois termos entre os estudiosos apresenta diferenças:

Poesia: Caráter do que emociona, toca a sensibilidade. Sugerir emoções por meio de uma linguagem.1

Poema: obra em verso em que há poesia

"Se o poema é um objeto empírico e se a poesia é uma substância imaterial, é que o primeiro tem uma existência concreta e a segunda não. Ou seja: o poema, depois de criado, existe per si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor, mas a poesia só existe em outro ser: primariamente, naqueles onde ela se encrava e se manifesta de modo originário, oferecendo-se à percepção objetiva de qualquer indivíduo; secundariamente, no espírito do indivíduo que a capta desses seres e tenta (ou não) objetivá-la num poema; terciariamente, no próprio poema resultante desse trabalho objetivador do indivíduo-poeta." 2

O poema destaca-se imediatamente pelo modo como se dispõe na página. Cada verso tem um ritmo específico e ocupa uma linha. O conjunto de versos forma uma estrofe e a rima pode surgir no interior dessa estrofe. A organização do poema em versos pode ser considerada o traço distintivo mais claro entre o poema e a prosa (que é escrita em linhas contínuas, ininterruptas).

1 - Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa. RJ: Nova Fronteira, 1993.
2 - LYRA, Pedro. Conceito de Poesia. São Paulo: Ática, 1986.

Dando continuidade ao assunto, a título de ilustração, o livro "Quintana de bolso", da Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco, traz uma exemplificada do que seria Poesia.

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
Por Mario Quintana


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

Postado por Irla

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Cresço

De ti não sei a casca. Percebo que mascas
suas aspas enquanto mesclas a potência de
cada lasca da existência. Confio nos
fragmentos.

E

donde tu escureces
eu cresço
Rutilos de mais um recomeço.



Shala Andirá

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*Poema de uma companheira blogueira.
Shala, obrigada por dividir!

ps.: como a autora não colocou nenhuma imagem,
preferi manter assim, só na imaginação.

Postado por frô



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mais do mesmo

Fruto da última reunião, e de eu ter assitido novamente ao filme "Amor além da vida".




Condução

Um assassinato
Um suicídio
Um renascimento
Diário.
Eu vou caminhando até mim...
A paisagem que construo me leva,
O caminho que sigo vai transformando a paisagem.
Venho caminhando até mim...
Enquanto isso
Vou plantar uma árvore roxa para encontrar
Quando eu, enfim, chegar.

Isabella

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um pouco de poesia



um pouco de nada
quando o nada pode ser
tudo

e o meu tudo
que é nada
passa a ser
complementar

mas
um pouco de tudo
quando tudo
é
nada
e
sendo tudo
não guarda
a menor
importância

então
um pouco de nada
é nada

um pouco de tudo
é nada

também...

Poesia de José Gomes Sobrinho - poeta nordestino do Tocantins

Postado por Isabella

sábado, 1 de maio de 2010

Pétalas da Frô

Para quem não sabe, existe uma Frô no nosso jardim. Sim, uma das integrantes do nosso clube de leitura, a Gabriella, Gabi para os mais íntimos, é poetisa e blogueira.
Assina seus poemas como Frô, e vem perfumando nossas semanas com suas palavras.

Para deliciarmo-nos com o doce aroma de seus escritos escolhemos, esta semana, a poesia postada em seu blog na quinta-feira, 22 de abril.



Sinto um frio dizimando meu peito.
A libertação é próxima, pois que o espírito se transforma.

Suportar é fundamental.
Suportando aprende-se a resignação,
o calvário do silencio,
o prestimoso ócio daqueles cuja aparência
obstina.

Entao, o camelo se torna leão.

E a força surge com autonomia
e com coragem,
e com potência.

Mas ele sozinho ruge.
O tempo urge.
O vento baila.

Desconhecer é fundamental.

Esqueçam-se!
Vivam, tais como crianças maduras,
daquelas que de tao vivas,
dói.

(frô)

Gostou? Quer conhecer o jardim da Frô?
Acessem o blog dela Libelula Helicoptero

Postado por Irla